Comunidade SEED

Projeto que Resiste à Passagem do Tempo

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Projeto que Resiste à Passagem do Tempo

13 a 15 de março de 2006 [Cidade do México]

Armados de conhecimento, ferramentas e ideias criativas, fomos trabalhar... abaixo estão alguns dos desenhos de projetos para nossa casa dos sonhos mexicana autossustentável.

Projeto de arquitetura sustentável

 Projeto de arquitetura sustentável
Projeto de arquitetura sustentável
Projeto de arquitetura sustentável

Alunos e Professores do SEED na Cidade do México Exploram a Arquitetura Sustentável Utilizando Materiais de Construção, Práticas e Tecnologias Eficientes em Energia para Lançar o Novo Tema do SEED. 

por Eva Gómez

Sendo uma voluntária SEED que mora em Houston, estou sempre disposta a participar das atividades do SEED. Fiquei animada em contribuir para o desenvolvimento de um workshop escolar do SEED para 35 alunos e 4 professores na Escola Salvador Gracidueñas, na Cidade do México, de 13 a 15 de março de 2006. O desafio para os alunos: explorar a Cidade do México como arqueólogos, arquitetos e engenheiros sob a perspectiva do uso de energia e mudanças climáticas e depois projetar e construir um modelo de casa em três dimensões utilizando fontes de energia e materiais sustentáveis.

O México provou ser um dos países mais ativos e criativos para as atividades do SEED. Isso se tornou uma escolha natural para este workshop, que introduziu o novo tema Energia e Mudança Climática para o site do SEED e atividades educacionais no mundo todo, junto com um workshop na Malásia.

O México, com sua longa e rica história, foi o cenário perfeito. Enquanto fazia meus planos com os outros líderes do workshop — Angela Barrionuevo (Coordenadora SEED no México), Carla Gómez Monroy (Membro da Equipe Principal do SEED) e Sylvia Sunqvist (Voluntária da Schlumberger) — sentia que esse seria um evento especial. Mal podia esperar para começar.

Primeiro dia—Arqueologia 
Como as Residências Refletem Nosso Modo de Viver

O SEED, assim como sua controladora Schlumberger, faz das práticas de QHSE (Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente) uma prioridade, então iniciamos o workshop de três dias com uma visão geral dos padrões e exigências do workshop apresentados por Bernardo Cuadros, gerente de QHSE no México, cuja mensagem foi clara: o sucesso depende da segurança. Foi uma base sólida na qual iríamos fundamentar nossas atividades que estavam por vir.

 

Uma seção do mapa do México mostrando Zócalo, e o caminho seguido durante a viagem de campo.

Mapa

Em seguida, houve uma sessão de brainstorming. Carla e eu conduzimos os participantes em uma conversa sobre como as casas modernas são, que materiais são usados para construí-las e quais conveniências as pessoas gostam de ter, como água corrente, banheiros e ar condicionado. Pedimos às crianças que desenhassem suas casas para mostrar como vivem.

Após a sessão de brainstorming, juntamos todo mundo e embarcamos no ônibus em direção à Praça Zócalo no centro da Cidade do México (veja a foto à esquerda). Fomos ver o Templo Mayor, um excelente exemplo da arquitetura asteca dos séculos XIV e XV.

No Templo Mayor

Participantes do workshop visitam o Templo Mayor — que já foi o coração de Tenochtitlán, capital da civilização asteca.

Em Zócalo

Em uma das maiores praças públicas do mundo — Zócalo (principal praça da Cidade do México).

Apresentamos e explicamos algumas histórias de que o Templo Mayor já foi o coração de Tenochtitlán, capital da civilização asteca. O complexo do templo foi quase destruído pelos espanhóis durantes suas conquistas. Andamos por caminhos de ruínas que foram escavadas e ficaram enterradas por muitos anos, e que só foram descobertas novamente nos anos 70.

Todos olharam para o templo e seus arredores com novos olhos, estudando os detalhes da construção e imaginando a maneira como que os astecas viviam.

Encontramos, próximo ao Templo Mayor, um monumento de água em que foi esculpido um mapa em alto relevo de Tenochtitlán durante sua glória. Foi uma ótima oportunidade para explicar os conceitos e propósitos dos modelos tridimensionais e para começarmos a falar sobre escalas e proporções. Isso também nos ajudou a imaginar como as cidades estavam dispostas, como eram as casas e como as pessoas viviam naqueles tempos antigos.

Depois de um pequeno debate, fomos para a próxima parada da nossa viagem de campo: a praça principal da Cidade do México — La Plaza de la Constitución (Praça da Constituição) — conhecida por Zócalo. Uma das maiores praças públicas do mundo, Zócalo é o lugar perfeito para estudar a história e arquitetura da cidade. Há muitas construções importantes e diferentes ao redor da praça, incluindo a catedral (1525-1813), o Palácio Nacional (século XVI), onde o presidente mora, o Supremo Tribunal e a antiga Prefeitura. As construções refletem uma mistura de estilos arquitetônicos que vão desde igrejas coloniais e mansões até um teatro/galeria em art déco e um arranha-céu do século XX.

Entre as atrações estavam o antigo Colégio de Cristo, atual Museu do Cartunista. Ele tem uma intricada e bem preservada fachada em estilo barroco e é um dos melhores exemplos que restaram de uma residência de classe alta do século XVII.

 

Museu

Os alunos fazem um intervalo no pequeno pátio do Museu do Cartunista.

Desenho

Um dos desenhos da casa de Luis Barragán.

 Originalmente concebida no século XVII como uma fundação educacional para estudantes carentes, foi reconstruída durante os anos de 1740 e mais tarde tornou-se uma propriedade particular. Um pátio pequeno e uma ampla escadaria com arcada de pedras estão entre os destaques.

Nossa próxima e última parada do dia foi a antiga casa do ganhador do prêmio Pritzker de arquitetura, Luis Barragán. Localizada em uma rua pacata, a casa por fora aparenta ser simples e modesta. Por dentro, a casa de Barragán revela uma exibição vibrante de cores, formas, texturas, luzes e sombras, a marca registrada do arquiteto.

O estilo de Barragán era baseado na utilização de planos horizontais (paredes) e luz (janelas). A sala principal da casa tinha um telhado alto e era dividida por paredes baixas. Um teto solar e as janelas foram projetados para fazer com que entrasse muita luz e para acentuar as mudanças naturais das luzes ao longo do dia. As janelas também tinham um segundo propósito--permitir uma vista da natureza.

Barragán se autodenominava um arquiteto paisagista, porque acreditava que um jardim era tão importante quanto uma construção. Essa crença tornou-se clara conforme chegávamos à parte de trás da casa de Barragán, que abre para um jardim, fazendo do lado de fora uma extensão da residência.

Barragán remodelou continuamente a casa até o último ano de sua vida. Foi um trabalho progressivo, uma espécie de laboratório arquitetônico no qual costumava experimentar os conceitos de espaço e luz.

Voltando para o ônibus e ouvindo a conversa animada entre as crianças, Carla e eu reconhecemos claramente que a casa de Barragán foi um ótimo lugar para encerrar o dia. Seu design exclusivo ofereceu ao grupo muitas idéias para inspirar o entendimento deles de como a moradia reflete nossa maneira de viver e como formas e funções, luzes e espaço podem ser criativamente utilizados.

Segundo dia—Arquitetura
Explorando Nossos Espaços Abertos

Começamos o segundo dia com uma revisão das experiências e impressões do primeiro dia, e depois mergulhamos em nossa próxima atividade. Pedimos ao grupo que imaginasse que eles eram arquitetos projetando a casa dos sonhos. Foi um exercício incrível. O mais fascinante de se ver foi como as crianças mudaram suas abordagens em relação ao design. Elas usaram cores e elementos estruturais como arcos e colunas de maneiras muito criativas e se esqueceram de seus projetos iniciais. Conforme os alunos compartilhavam seus projetos com o grupo, ficou claro que a viagem de campo causou uma grande impressão na maneira como que eles pensam.

Após as apresentações, estávamos quase prontos para começar uma nova aventura como arquitetos. Porém, primeiramente, precisávamos aprender sobre os importantes conceitos de escala e proporção, e importantes ferramentas para nosso trabalho. Devo admitir que estava preocupada que essas partes abstratas do workshop não chamariam a atenção deles, apesar da importância, mas fui surpreendida. Foi maravilhoso descobrir como eu subestimei o nível de interesse deles e percepção de princípios arquitetônicos. Foi muito fácil explicar como as escalas funcionam e como os arquitetos projetam os espaços proporcionalmente à vida humana. Eles brincaram avidamente com as fitas métricas que demos para levarem para casa para fazerem uma tarefa--documentar a disposição das salas e móveis de suas casas.

Planta

O grupo trabalhou unido para completar o projeto da casa. Assim como um quebra-cabeças, todas as partes tinham que se encaixar.

Passando para o projeto do dia, desenhar uma casa em grupos pequenos, cada um responsável por criar um espaço dentro da casa, tivemos:

  • Entrada e garagem
  • Sala de estar e sala de jantar
  • Cozinha e lavanderia,
  • Quarto,
  • Banheiro,
  • Jardim e piscina
  • Salão de jogos (que pode ser modificado).

O grupo teve alguma "luz" após duas horas de exploração criativa — pensamentos, debates, medidas e desenhos —, e se reuniu novamente para uma discussão. Eles imediatamente perceberam que todos precisávamos trabalhar juntos para completar a projeto. Era como um quebra-cabeças, e todas as partes tinham que se encaixar. Todos tiveram que entender o tamanho, a escala e a proporção das várias partes e como conectá-las para montar uma casa. Eles usaram suas habilidades de pensamento crítico.

 

Sistemas Vivos
SISTEMAS VIVOS

Os alunos juntaram os desenhos dos espaços de cada grupo para que pudessem estudá-los juntos. Então eles se fizeram as seguintes perguntas:

  • Por que o banheiro está maior que o quarto?
  • Como poderemos entrar no quarto se o colocarmos no centro da casa?
  • O que acontece com a sala de estar se conectarmos a cozinha com a sala de jantar?

Quando o dia chegou ao fim, imagine como eu e Carla ficamos emocionadas ao ver como a sessão teve seu próprio curso e naturalmente se tornou um verdadeiro esforço colaborativo e um exemplo do poder de Aprender Fazendo, que é o coração das atividades do SEED. Estávamos orgulhosas e muito ansiosas para ver quais desenvolvimentos o próximo e último dia iria trazer.

Terceiro dia—Engenharia
Compreendendo a Energia e Como Usá-la

Desde o começo, ficou claro que a animação do segundo dia permaneceu até o terceiro dia. Todos mal podiam esperar para começar.

SEEDPACK

Acima: Um estudante descansa enquanto carrega sua mochila movida a energia solar.

Abaixo: Explorando os aparelhos que podem ser conectados às mochilas — hélices motorizadas, lâmpadas e outros dispositivos.

Explorando o SEEDPACK

Como sempre, começamos com uma breve revisão e discussão. Os alunos estavam mais do que ansiosos para saber as tarefas e descobrir o que significa ser um engenheiro. Sylvia foi maravilhosa como guia para essa atividade. Engenheira e geóloga, ela foi capaz de fazer perguntas que ajudassem os alunos a ganhar percepção e compreensão sobre a estrutura da casa que eles estavam prestes a construir. Ela ainda criou um contexto adicional para o projeto relembrando-nos das memórias do terremoto devastador da Cidade do México que aconteceu em 19 de setembro de 1985 (iremos desenvolver o tema de Ciências da Terra, "Arquitetura de Abalo", em projetos futuros do Laboratório de Ciências do SEED).

Passamos a primeira parte do dia pesquisando sobre energia e sistemas de água para utilizarmos em nossa casa. Foi uma tarefa mais difícil do que pensamos, e levou mais tempo, mas tivemos algumas inspirações válidas vindas das novas mochilas movidas a energia solar que introduzimos no workshop. Nossos cérebros entraram em ação. 

Os alunos correram para o pátio anexo à sala de aula, que chamamos de "laboratório solar", como se estivessem indo para a piscina. Com aquela animação, muitos deles deitaram no chão, absorvendo o sol com as suas mochilas, enquanto debatiam sobre como as mochilas e painéis solares funcionavam. Antes de ficarem muito tempo no sol, eles decidiram deixar as mochilas absorverem os raios solares enquanto procuravam um abrigo e brincavam debaixo de uma árvore.

Quando as pilhas das mochilas estavam carregadas, as crianças exploraram os dispositivos que podiam ser conectados às mochilas — hélices, lâmpadas e outros — para que pudessem ter ideias do que usariam para o modelo da casa. Elas também reuniram todos os dados que haviam coletado a fim de entender o ambiente da casa, incluindo sua localização, clima, materiais de construção, opções arquitetônicas e energias alternativas.

Armados de conhecimento, ferramentas e ideias criativas, fomos trabalhar no projeto da nossa casa dos sonhos mexicana autossustentável. A casa era para ser localizada no Vale do México, um grande vale nos altos planaltos do centro do México, a aproximadamente 2.240 metros acima do nível do mar, cercado por vulcões com uma elevação de 4.000-5.500 metros acima do nível do mar. A velocidade do vento variava do Norte para o Nordeste entre 8 e 24 km/h.

Planta

O modelo completo combinou ideias de todos os alunos em um projeto de eficiência energética.

A casa que criamos no workshop é uma casa térrea de base quadrada, telhado de telhas de argila e muros coloridos em um terreno de 300 metros quadrados, típica para uma família de quatro pessoas na Cidade do México. Cada cômodo foi projetado para utilizar luz natural, ventilação transversal (não havia ar condicionado para refrescar a casa) e recursos de energia solar (pela falta de velocidade necessária de vento para gerar energia). Entre as principais características da casa que contam com a energia solar estavam a iluminação, uma bomba d'água que alimentava a água reciclada do banheiro armazenada em uma piscina no jardim e uma garagem de portão automático.

Quando tudo foi dito e feito, todos ficaram satisfeitos com o que tinham aprendido e criado nesse workshop, tanto individualmente quanto coletivamente. Nossos três dias como arqueólogos, arquitetos e engenheiros nos proporcionaram não somente um entendimento dos arredores urbanos e da nossa história, como também um senso de confiança na nossa própria capacidade de avaliar, projetar e construir estruturas que atendam às necessidades das pessoas em um contexto da sua sociedade e ambiente. E, o melhor, todos saíram querendo aprender mais e ter mais oportunidades de trabalhar em projetos como este novamente.