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Malária
Medicamentos Contra a Malária

Como a malária pode ser tratada? Antigamente a quinina era o único remédio capaz de combater a doença. Hoje, porém, há muitos medicamentos diferentes para tratá-la. Mas como um médico sabe qual medicamento prescrever?

 

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Foto gentilmente cedida pelo Centro Marvin Samson para a História da Farmácia, Universidade de Ciências, Michael J. Brody ..

A quinina tem sido usada como remédio contra a malária por muitos anos.
 

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Foto gentilmente cedida pelo Conselho Nacional de Pesquisas.

A planta Artemisia annuafoi usada por muito tempo na China para combater a malária. O ingrediente ativo dessa planta, a artemisinina, é a base da mais nova classe de medicamentos contra a malária.

A quinina era o único tratamento eficaz contra a malária de meados do século 17 até metade do século 20. Em 1946, cientistas britânicos e norte-americanos testaram um medicamento contra a malária descoberto em 1934 por um pesquisador alemão. A cloroquina tornou-se o primeiro composto sintético utilizado no tratamento da malária. Desde então, outros medicamentos passaram a ser usados, além da quinina e a cloroquina, como a sulfadoxina-pirimetamina (mefloquina), o atovaquone-proguanil (Malarone) e a doxiciclina. O Fansidar é mais eficiente para pessoas com certa resistência à malária. O medicamento primaquina destrói os parasitas dormentes no fígado, para impedir recaídas. No entanto, causa sérias complicações e é usado raramente.

O medicamento mais novo no tratamento da malária é da China. Os chineses antigos descobriram que a planta Qinghao nome latino Artemisia annua, também conhecida como doce absinto, diminuía a febre. Em 1971, cientistas chineses isolaram o ingrediente ativo, a artemisinina. Os derivados desse ingrediente são muito eficientes contra a malária. Embora usados em todo o mundo, os derivados da artemisinina são proibidos nos Estados Unidos.

O parasita causador da doença e a região onde a pessoa foi infectada determinam qual medicamento deve ser usado para combater a doença. A razão: resistência ao medicamento, especialmente contra o Plasmodium falciparum e o P. vivax. No final dos anos 50, houve relatos sobre o P. falciparum resistente à cloroquina na América do Sul e no Sul da Ásia. Como conseqüência, essa resistência do P. falciparum espalhou-se pelo mundo. Agora, outros medicamentos devem ser usados para combater a malária causada por essa espécie de Plasmódio. Em algumas regiões, o P. falciparum desenvolveu resistência a quase todos os outros medicamentos usados no combate à malária. Até agora, os derivados da artemisinina continuam eficazes. Houve relatos ocasionais sobre oP. falciparum resistente à artemisinina, recentemente. Algumas regiões relatam que oP. vivax é resistente a alguns medicamentos, incluindo a cloroquina e o Fansidar.

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Foto gentilmente cedida por CDC.

Neste mapa-múndi, as áreas cinza indicam onde o parasita da malária tornou-se resistente à cloroquina. Os círculos mostram onde o parasita é resistente a outros medicamentos também.

Há duas formas de acabar com tal resistência. Os medicamentos contra a malária afetam os parasitas de maneiras diferentes. Portanto, para impedir que a resistência fique ainda maior, medicamentos com ações distintas sobre os parasitas podem ser combinados. Isso confunde o parasita, evitando que ele tenha tempo suficiente no corpo para ficar resistente. Por exemplo, a terapia com artemisinina, conhecida como ACT, é um tratamento muito eficaz contra o P. falciparum. A segunda maneira de combater é tomar o medicamento segundo as instruções, para uma dosagem completa. Essa medida elimina de vez o parasita.

Outro fator considerado ao selecionar os medicamentos no tratamento contra a malária é a condição geral do paciente: outras enfermidades, alergias ao medicamento e, para as mulheres, uma possível gravidez.

Há outros fatores que impedem a constante eficácia dos medicamentos contra a malária ? Leia mais…

Medicamentos Falsificados

Em países onde a malária é comum e freqüente, as pessoas mais propensas a contraírem a doença são as que têm menos condições financeiras para comprar o remédio necessário para o tratamento. Nessas regiões, o comércio de remédios falsos contra a malária difundiu-se de forma significativa. Esses remédios não são eficazes contra o parasita, mas são mais baratos e, dessa forma, mais acessíveis às pessoas com renda muito limitada. O que torna tais remédios falsificados e como eles podem ser identificados?

Em países onde a malária é comum, as pessoas mais pobres também são as mais propensas a serem picadas por mosquitos que carregam o parasita da malária. Isso acontece pois as pessoas mais pobres tem pouquíssimo acesso aos recursos que combatem a malária como redes para a cama, telas de proteção e inseticidas. Essas mesmas pessoas também não têm dinheiro para comprar remédios contra a malária. Criminais estão oferecendo remédios baratos contra a malária nas regiões mais pobres. O problema é que esses remédios são falsificados: não funcionam e, na realidade, podem estimular a resistência do parasita a esses novos medicamentos. Esse problema é predomina particularmente no Sudeste Asiático e na África.

Os medicamentos geralmente falsificados são baseados em artemisinina. Esses remédios são novos e caros. Entretanto, eles são muito eficazes contra o parasita, especialmente em regiões onde a malária tornou-se resistente aos medicamentos contra a malária mais antigos. A maioria dos medicamentos falsificados vêm da China, fonte de medicamentos originais com base em artemisinina.

O problema óbvio dos medicamentos falsificados é que o paciente não melhora e pode morrer. Os medicamentos podem ser falsos sob diversos aspectos. Podem estar velhos e vencidos e, portanto, perder sua eficácia contra o parasita. Talvez não tenham nenhum efeito real contra a malária. E o mais perigoso é que podem conter menos quantidade do ingrediente ativo do que o indicado.

Os que possuem muito pouca quantidade do ingrediente ativo são os que apresentam maior perigo. O uso indiscriminado de medicamentos falsos expõe o parasita a medicamentos baseados em artemisinina, mas não em doses suficientemente altas para matar o parasita. Esse grau de exposição pode contribuir para que o parasita fique resistente ao remédio contra a malária Doses pequenas matam os parasitas menos resistentes e deixam os mais fortes e resistentes vivos para se reproduzirem. Com o tempo, a população de parasitas acaba contendo mais parasitas resistentes. A resistência aos medicamentos de artemisinina seria um desastre, pois não há outros medicamentos novos contra a malária prontos para serem usados.

Os medicamentos falsificados podem ser identificados de várias maneiras. É mais provável que os remédios vendidos nas ruas sejam falsificados. Se o remédio for menos caro do que o esperado, provavelmente é falsificado também. Os comprimidos deveriam ser vendidos em embalagens tipo blister e não em recipientes. Alguns falsificadores são bastante sofisticados e usam embalagens semelhares às originais. Porém, se forem observadas com atenção, as embalagens podem não ser perfeitas, ter as letras borradas, podendo faltar um holograma. Remédios que tenham gosto ou cheiro estranho ou que sejam quebradiços também podem ser falsos. A melhor forma de evitar remédios falsos é ir a uma farmácia confiável.

Logo, o que impede que a malária debilite as pessoas durante uma epidemia? Existem formas de tornar as pessoas imunes a essa enfermidade.


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