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História da Medicina
Do Século XX em Diante: Drogas para Tratar Doenças

O ritmo dos avanços médicos se acelerou em todas as frentes a partir do século XX. Descobertas revolucionárias ocorreram nas áreas de biologia, química, psicologia, farmacologia e tecnologia, muitas vezes de formas convergentes ou sobrepostas. Um novo entendimento das doenças trouxe novos tratamentos e curas para muitas dessas condições. Contudo, ainda que as epidemias mais mortais tenham sido dominadas—e, no caso da varíola, erradicadas—novas doenças surgiram, como a AIDS.

 

 

 

Paul Ehrlich

Foto © The Nobel Foundation. (em inglês)

O bacteriologista alemão Paul Ehrlich desenvolveu o conceito de usar uma droga para atacar um único organismo dentro do corpo. Isso levou ao desenvolvimento de drogas para o tratamento de doenças como a sífilis.

Penicillina

Foto gentilmente cedida por Fotosearch (em inglês).

A penicillina, aqui ampliada, foi o primeiro antibiótico usado para curar infecções bacterianas.

Durante o século XX, a expectativa de vida aumentou em muitas partes do mundo. O outro lado da moeda foi o aumento da incidência de doenças relacionadas ao envelhecimento, sobretudo doenças cardíacas e câncer, e do foco no tratamento e prevenção dessas doenças. Em uma evolução preocupante, algumas doenças que pareciam ter sido dominadas por tratamentos medicamentosos, como a tuberculose, desenvolveram resistência aos medicamentos mais para o fim do século XX.

Drogas para tratar doenças

No fim do século XX, o estudo de remédios herbáceos, químicos e minerais (o que era chamado de materia medica), transformou-se na ciência laboratorial da farmacologia. Drogas fitoterápicas, como o ópio, foram submetidas a análises químicas sistemáticas. Os pesquisadores então aprenderam a sintetizar essas drogas. Na virada do século XX, a indústria farmacêutica estava comercializando produtos de laboratório. Uma empresa chamada Bayer, na Alemanha, registrou a marca de uma versão sintética do ácido acetilsalicílico, à qual deu o nome de aspirina.

Um pioneiro no ramo da farmacologia foi o cientista alemão Paul Ehrlich (1854-1915), que—após muito esforço e tentativas—sintetizou o composto à base de arsênico Salvarsan, o primeiro tratamento eficaz para a sífilis, em 1909. Assim, Ehrlich, que cunhou o termo “quimioterapia”, criou a primeira droga antibiótica. Uma geração mais tarde outro alemão, Gerhard Domagk (1895-1964), que trabalhava na Bayer, produziu a primeira sulfa (outro tipo de antibiótico) utilizável. A droga era usada para tratar doenças estreptocócicas, incluindo a meningite.

Cientistas também pesquisaram agentes antibióticos biológicos. Os antigos chineses, egípcios e gregos descobriram que substâncias mofadas eram eficazes para manter cortes limpos. Pasteur observou uma ação bactericida ao notar que a adição de bactérias comuns interrompia o crescimento de bacilos antrazes na urina estéril.

Na década de 20, o escocês Alexander Fleming (1881-1955) encontrou mofo proliferando em algumas amostras bacterianas em seu laboratório. Na verdade, o mofo matava as amostras. Ele identificou o mofo como penicillina. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma equipe de cientistas liderada pelo australiano Howard Florey (1898-1968) aprofundou a pesquisa e testou a nova droga em soldados feridos. Ela demonstrou ser eficaz contra antraz, tétano e sífilis, e foi a primeira droga que funcionou contra a pneumonia. Mais ou menos na mesma época, Selman Waksman (1888-1973), bioquímico americano, isolou outro fungóide, a estreptomicina, que demonstrou ser eficaz contra a tuberculose. Waksman cunhou o termo “antibiótico” para descrever espeficiamente as drogas biológicas.

 

Segunda Guerra Mundial, penicillina

Imagem gentilmente cedida pela Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento, Schenley Laboratories, Inc., Lawrenceburg, Indiana (em inglês).

Durante a Segunda Guerra Mundial, a penicillina salvou a vida de muitos soldados

Várias novas drogas surgiram na década de 50, incluindo a cortisona, um hormônio esteróide que reduzia a inflamação e suprimia a resposta do sistema imune. As primeiras drogas eficazes para o tratamento de doenças mentais também apareceram nesta época.

Embora os antibióticos não funcionassem contra doenças virais, as vacinas antivirais funcionavam. Duas das mais importantes foram as vacinas contra a varíola e a poliomielite. A poliomielite, doença que atinge principalmente as crianças, causa paralisia. Dois cientistas americanos, Jonas Salk (1914-95) e Albert Sabin (1906-93), desenvolveram diferentes versões de uma vacina pólio, que foram apresentadas em meados da década de 50. A vacina de Salk era feita à base do vírus morto, enquanto a de Sabin era preparada com o vírus vivo. Ambas foram usadas, com grande sucesso. A pólio foi basicamente erradicada no final do século XX.

 

Jonas Salk

Imagem gentilmente cedida por The March of Dimes, com a permissão da família Salk (em inglês).

Jonas Salk aplica uma vacina contra a pólio em um jovem estudante.

Outras vacinas antivirais incluem aquelas contra sarampo, catapora e gripe. As vacinas contra o papilomavírus humano (que causa câncer de colo de útero) e herpes-zóster (doença da família da catapora causada pelo vírus herpes) surgiu em 2006. As tentativas de se produzir uma vacina contra a malária e a AIDS até o momento não tiveram sucesso.

A primeira droga antiviral, o aciclovir, surgiu na década de 70 para ser usada contra algumas formas de herpes. Drogas antiretrovirais foram desenvolvidas na década de 80 para combater a AIDS (os retrovírus são uma classe de vírus.) Contudo, os vírus se modificam tão rapidamente que o desenvolvimento de agentes antivirais (e antiretrovirais) se mostra bastante difícil.

Os pesquisadores já usaram várias abordagens diferentes para o desenvolvimento de drogas para pacientes. Uma grande revolução para o tratamento de doenças foi um novo entendimento do sistema imune.


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