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História da Medicina
A Ascensão da Medicina Científica: O Renascimento

O Renascimento foi um grande período de crescimento intelectual e desenvolvimento artístico na Europa. Como parte dele, os cientistas e pensadores começaram a se descolar das visões tradicionais que regiam a medicina, tanto no oriente quanto no ocidente. O foco dos tratamentos deixou de ser um equilíbrio natural de ordem divina. O conhecimento avançou através do método científico — pela condução de experimentos, coleta de observações, conclusões. As informações eram disseminadas por meio de uma importante nova tecnologia — a impressão. As raízes da medicina científica estavam estabelecidas.

 

Andreas Vesalius  

desenho do cérebro humano

O desenho do cérebro humano é do livro de Vesalius, De Humani Corporis Fabrica (1543).

Andreas Vesalius é considerado o pai do estudo da anatomia. Seu livro De Humani Corporis Fabrica (Sobre a Estrutura do Corpo Humano), de 1543, continha belas ilustrações do corpo humano.

O método científico é aplicado à medicina

Em 1543 Andreas Vesalius (1514-64), professor da Universidade de Pádua, publicou um texto ricamente ilustrado sobre anatomia. Com conhecimentos baseados na extensiva dissecação de cadáveres humanos, ele apresentou a primeira descrição amplamente precisa do corpo humano. Anatomistas posteriores em Pádua incluíram Gabriele Falloppio (1523-62), que descreveu os órgãos reprodutores femininos, dando seu nome às tubas de Falópio, e Girolamo Fabrizio (1537-1619), que identificou as válvulas do coração.

 

 

mesa de operação e instrumentos cirúrgicos variados

Foto da ©Biblioteca Nacional de Medicina.

A xilogravura do livro de Vesalius mostra uma mesa de operação e instrumentos cirúrgicos variados usados no século XVI.

perna artificial

 

Foto da ©Biblioteca Nacional de Medicina.

Ambrose Paré foi um cirurgião do século XVI que adquiriu muita de sua experiência no campo de batalha. Ele desenvolveu técnicas como a sutura de artérias para evitar que os pacientes morressem de hemorragia. A xilogravura mostra uma perna artificial criada por Paré.

A cirurgia era praticada principalmente por barbeiros, que usavam as mesmas ferramentas para as duas profissões. A cirurgia ainda era um negócio bastante primitivo e extremamente doloroso essa época. A controvérsia continuava em relação ao tratamento de ferimentos — o pus era bom ou ruim? A cauterização, ou queima de um ferimento para fechá-lo, continuou sendo a principal forma de deter hemorragias. A maioria dos cirurgiões adquiriu suas habilidades no campo de batalha, e a introdução de pólvora, armas e canhões tornou o local muito mais desorganizado.

Um cirurgião francês do século XVI, Ambroise Paré (c. 1510-90), começou a colocar um pouco de ordem. Ele traduziu parte do trabalho de Vesalius para o francês a fim de disponibilizar os novos conhecimentos anatômicos para cirurgiões de campos de batalha. Com sua própria e extensa experiência em campos de batalha, ele suturava ferimentos para fechá-los em vez de usar a cauterização para deter o sangramento durante amputações. Ele substituiu o óleo fervente usado para cauterizar ferimentos de armas de fogo por um unguento feito de gema de ovo, óleo de rosas e terebintina. Seus tratamentos não só eram mais eficazes como também muito mais humanos que os utilizados anteriormente.

Outro importante nome dessa época foi Paracelso (1493-1541), alquimista e médico suíço. Ele acreditava que doenças específicas eram causadas por agentes externos específicos e, portanto, exigiam remédios específicos. Ele foi o pioneiro no uso de remédios químicos e minerais, incluindo mercúrio para o tratamento da sífilis. Ele também escreveu aquele que provavelmente é o trabalho mais antigo sobre medicina ocupacional, Sobre os Enjoos dos Mineradores e Outras Doenças de Mineradores(1567), publicado alguns anos depois de sua morte.

A sífilis foi registrada pela primeira vez na Europa em 1494, quando uma epidemia irrompeu entre as tropas francesas que estavam sitiando Nápoles. O fato de o exército francês incluir mercenários espanhóis que haviam participado das expedições de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo deu origem à teoria de que a doença era proveniente do continente americano. Se isso for verdade — e o tema continua sendo o centro de calorosas controvérsias — então foi parte de um intercâmbio em que os nativos americanos se deram muito pior. As doenças que os europeus introduziram no hemisfério ocidental incluíram varíola, gripe, sarampo e tifo, que levaram as populações nativas à quase extinção.

 

Paracelso

  Sífilis

Imagem gentilmente cedida pela História de Clendening da Biblioteca de Medicina, Centro Médico da Universidade de Kansas.

Paracelso acreditava que as doenças eram causadas por agentes externos de doenças que atacavam o corpo, e não pelo desequilíbrio de humores. Ele misturava substâncias químicas para tratar doenças.   A sífilis foi identificada pela primeira vez na Europa, em 1494. Ela se espalhou rapidamente pelo continente.

Um médico italiano chamado Girolamo Fracastoro (c. 1478-1553) cunhou o nome sífilis, que também era chamada de doença francesa. Ele também propôs uma teoria, adaptada das ideias clássicas, de que doenças contagiosas podem ser espalhadas por minúsculas “sementes ou esporos de doença” capazes de percorrer grandes distâncias (no entanto, ele sabia que a sífilis era transmitida por contato pessoal). Essa teoria foi influente por vários séculos.

Durante o Renascimento, as sementes da mudança foram semeadas na ciência. O conhecimento médico deu grandes saltos durante os dois séculos seguintes.

 

 

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